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Diga adeus à alergia

Ontem, picadas de agulha. Hoje, gotinhas debaixo da língua. O tratamento com vacinas evoluiu e pode ser o alívio para boa parte dos 60 milhões de alérgicos no Brasil

POR JOSIANE GREGÓRIO
FOTO: SUSAN FINDLAY/MASTERFILE

Tão comum quanto ter um amigo alérgico é esse amigo torcer o nariz quando alguém fala de vacina contra alergia. Muitos, provavelmente, sabem pouco sobre o assunto — mas ainda assim duvidam do sucesso. Resultado: estimase que cerca de 60 milhões de brasileiros sofram com algum tipo de alergia. Mas só 300 mil, ou seja 0,5% dos alérgicos realizam o tratamento com vacinas.

Esse descrédito não ocorre à toa. Quem convive com espirros, coriza, coceira na garganta, irritação nos olhos, falta de ar, vermelhidão na pele, vômitos, desmaio e até convulsões — dependendo da intensidade e do tipo de crise alérgica — aprende que os sintomas podem ser aliviados com algumas medidas, mas raramente curados. Além disso, a imunoterapia, como é chamado esse tratamento, até há pouco tempo era feita somente por meio da aplicação de injeção subcutânea, em doses crescentes. No início, semanalmente, em seguida, mensalmente, por longos cinco anos. A boa notícia é que esse tratamento evoluiu e pode ser mais curto e menos indolor.

O uso de vacinas para amenizar os sintomas provocados pelas alergias vem sendo adotado desde o início do lséculo passado.

OS PRÓS E OS CONTRAS DA IMUNOTERAPIA

  • Só um especialista para recomendar a melhor vacina a um paciente. Algumas, dependendo de como são fabricadas, são contra-indicadas para alérgicos a ovos e crianças com asma.
  • Modernas técnicas de fabricação de vacinas diminuíram muito o risco de reação alérgica à própria vacinação.
  • Elas estão cada vez mais específicas. Mas ainda não existe uma imunização milagrosa, devido à complexidade dos mecanismos envolvidos numa reação alérgica e à quantidade de alérgenos (os causadores das alergias) que nos rodeiam.

AS VACINAS SÃO INDICADAS, EM GERAL, QUANDO NÃO É POSSÍVEL EVITAR OS ALÉRGENOS OU QUANDO OS REMÉDIOS NÃO RESPONDEM DE FORMA EFICAZ

“Nessa época, eram criadas empiricamente e estavam longe de ser 100% eficazes”, conta o farmacêutico Ruppert Ludwig Hahnstadt, diretor do FDA Allergenic, um dos laboratórios brasileiros, com sede no Rio de Janeiro, que fabrica vacinas e testes diagnósticos. Nos anos de 1980, as vacinas ganharam novas técnicas de purificação e maior controle de qualidade na fabricação. “Em 1997, a Organização Mundial de Saúde (OMS) reconheceu a eficácia dos produtos e passou a recomendá-los oficialmente como tratamento para as doenças de fundo alérgico”, lembra.

Alívio em gotas
Um dos avanços na área são as vacinas personalizadas e em gotas: três debaixo da língua e a própria pessoa, após orientação médica, pode aplicar. As doses variam de acordo com o caso e são altamente diluídas, por isso não costumam causar reações alérgicas. O tratamento é mais curto, dura de dois a três anos. De acordo com o alergologista francês Jean- Louis Brunet, do Hospital da Cruz-Vermelha, em Lyon, a imunoterapia via oral tem duas vantagens. “É bem tolerada e pode ser administrada em casa”, escreve em seu livro Alergias (Ed. Larousse). Já para Evandro Prado, presidente da Sociedade Brasileira de Alergia e Imunoterapia (SBAI), outra vantagem da imunoterapia oral é garantir maior adesão ao tratamento. “A praticidade do método leva o paciente a seguir os cuidados até o fim”, explica o médico.

Um obstáculo que ainda impede o acesso às vacinas, sejam elas por injeção ou gotas, são os custos. O tratamento pode custar entre mil e três mil reais por ano. Apenas poucos hospitais no Brasil, como o Hospital do Servidor Público do Rio de Janeiro e de São Paulo, o Hospital Infantil de Brasília e o Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, oferecem as doses gratuitamente.

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